O corpo da jovem Eiko Uemura, que foi encontrada morta no Portão do Inferno, próximo à Chapada dos Guimarães (distante a 65 quilômetros de Cuiabá) será exumado. Depois de sobre os avanços que o procedimento investigativo traria ao caso, o Ministério Público Estadual, por meio do promotor de Justiça de Chapada dos Guimarães, Jaime Romaquelli decidiu pela exumação do corpo para esclarecer dois pontos que segundo ele ainda não estão conclusivos.
Segundo informações contidas no ofício encaminhado pelo MP à Delegacia de Chapada, o promotor questiona a realização de exames para comprovar as lesões presentes no corpo de Eiko. Romaquelli também ressalta no documento que a maior dúvida presente no caso é em relação a pouca presença de hemorragia decorrente da queda. Ou seja, para o promotor não justificaria a vítima não ter sofrido hemorragia ao cair de uma grande altura. Outro ponto conflitante é em relação à comprovação das lesões. Segundo o promotor, não existe documentação que comprova se realmente a vítima morreu por lesões na coluna cervical.
Diante dessas dúvidas o Ministério Público pediu a exumação, que está previamente agendada para o sábado, 30 de maio, porém, se houver uma equipe disponível de peritos vinculados ao Instituto Médico Legal (IML) em Cuiabá o procedimento poderá ser antecipado. A reportagem do site da TV Centro América também entrou em contato com o delegado de Chapada dos Guimarães, João Bosco. Segundo ele, a exumação é válida para esclarer todas as dúvidas ainda pendentes. "Acho válido, porque são dois pontos ainda não bem explicados. O médico havia respondido isso no dia da necrópsia, mas como em Chapada não há raio-x, isso não ficou comprovado", esclarece.
No laudo de necrópsia no corpo de Eiko consta que a jovem morreu em função da queda, mas não especifica os efeitos causados no corpo dela. Para a realização de uma exumação com autorização judicial é necessário formar uma equipe de pelo menos três médicos legistas. Cada um dos profissionais monta um laudo pericial que será confrontado. A junta médica irá analisar os questionamentos levantados pelo Ministério Público.
Saiba mais
Na última semana, a Polícia Civil havia descartado a exumação do corpo de Eiko. O pedido foi feito pelo mesmo promotor, Jaime Romaquelli. Após a morte de Eiko, a polícia descobriu que ela estaria tendo um envolvimento com o advogado Sebastião Carlos Araújo do Prado. No depoimento, ele negou qualquer envolvimento no crime.
Dois dias antes da morte da estudante ela teria pego várias jóias da família, que depois foram encontradas com o advogado. A ideia seria uma fuga. De acordo com o delegado, João Bosco de Barros, o advogado mentiu no primeiro depoimento. "Ele admitiu que mentiu porque estava preocupado em expor a família", relatou o delegado. Em relação ao furto e a possível receptação das jóias da estudante, Bosco informou que a hipótese será investigada no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão, na capital.
Caso Júlio Uemura
Eiko era sobrinha de . O empresário e ela foram indiciados pelo Ministério Público na 'Operação Gafanhoto' em um suposto esquema fraudulento na compra de , mas de acordo com a nora de Júlio Uemura, Rosidei Taques Uemura, a estudante, também era proprietária de uma empresa e não teria ligações com os negócios do tio. "Ela tem uma empresa que era dela e da sócia que se chama Priscila", contou a Rosidei.
O advogado do investigado, Ulisses Rabaneda, disse que Sebastião prestou todos os esclarecimentos à Justiça. "Acredito que a partir de agora as investigações irão provar que meu cliente é totalemnte inocente", disse o advogado de Sebastião. Dentro de dez dias o laudo deve ficar pronto e apontar o que teria provocado a morte da estudante Eiko Uemura.

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