Depois de 21 dias de bloqueio da entrada de bois no frigorífico Arantes, os pecuaristas de Nova Monte Verde do Norte (960 quilômetros ao norte de Cuiabá) chegaram a um acordo e liberaram hoje a entrada do frigorífico para a passagem de caminhões carregados de gado para o abate. “Começamos a negociar na semana passada e a maioria votou pela aprovação da proposta feita pelo grupo Arantes com o parcelamento da dívida de R$ 6 milhões em 12 vezes”, revelou o produtor e um dos líderes do movimento, Jeremias Prado dos Santos. “Fui voto vencido, pois estava trabalhando para o pagamento único, mas temos que respeitar a maioria e aceitamos a proposta”.
Segundo Jeremias, os produtores não tinham mais alternativa de abate e a situação estava se agravando. Com o acordo, a partir de amanhã (15) o Arantes começa o abate de 750 cabeças diariamente. “A compra do gado será a vista e a prazo, dependendo de cada pecuarista”, revelou. Jeremias disse há pouco ao site da TV Centro América, que o acordo foi selado ontem à noite, e a partir de hoje de manhã os pecuaristas já começaram a deixar o local. O frigorífico fica instalado às margens da MT 208, distante seis quilômetros da sede do município.
São José dos Quatro Marcos
No município de São José dos Quatro Marcos (330 quilômetros de Cuiabá) o clima também é de negociação. Desde o dia cinco de maio mais de 100 pecuaristas de 13 municípios bloquearam a entrada de gado em pé no frigorífico Quatro Marcos e hoje (14) eles esperam fechar um acordo para quitar uma dívida do frigorífico com os produtores de R$ 6 milhões só nessa região. “O acordo está praticamente fechado, só faltam alguns detalhes”, disse o presidente do Sindicato Rural de São José dos Quatro Marcos, Alessandro Casado.
O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso, Luciano Vacari, disse que “esses acordos mostram a união dos pecuaristas que mantiveram uma posição firme durante as negociações. Cada região sabe de suas necessidades e a Acrimat apoia todas as posições e acordos firmados. Estamos aqui para dar apoio, suporte técnico e jurídico”. Vacari acrescentou, que os pecuaristas devem continuar unidos para que suas posições se fortaleçam, “pois a dívida que os frigoríficos possuem com os produtores de Mato Grosso é de mais de R$ 120 milhões”.
O superintendente acredita que essa situação poderá amenizar se for cumprida a promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dar maior agilidade na liberação de R$ 10 bilhões em crédito para empresas frigoríficas e de outros setores do agronegócio. Os recursos, aliás, foram repassados no dia 12 pela União ao BNDES. “Nós estamos reivindicando que 20% desses recursos tenham um destino certo para a compra de gado, para dar segurança ao pecuarista, porém não foram regulamentadas as regras de sua destinação”, disse.

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