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Agentes da Polícia Federal estão, no início da manhã desta sexta-feira (22), na região da 25 de Março, no Centro de São Paulo. Eles fazem uma operação de combate a imigrantes ilegais. A operação, batizada de “Shan”, foi deflagrada em vários estados do país nesta manhã e está sendo coordenada pela Superintendência da Polícia Federal em Rondônia.
Por volta das 9h, a assessoria da PF informou que algumas pessoas já haviam sido presas no país, mas não soube dizer se algumas dessas prisões tinham ocorrido no estado de São Paulo.
Em Pernambuco, os policiais apreenderam cerca de R$ 80 mil em uma residência investigada. Tony é acusado de controlar a chegada dos chineses e de enviar contrabando de São Paulo para Recife.
São Paulo
Segundo a Polícia Federal, em São Paulo, cerca de 40 imigrantes foram levados de ônibus para a Superintendência da PF e seus documentos serão vistoriados. Eles estavam em dois prédios na região da Sé, no Centro da cidade.
Foto: Daniel HaidarImigrantes chineses são levados para a PF em ônibus (Foto: Daniel Haidar/G1)
Em um dos prédios investigados pela PF, foi preciso arrombar a porta diante da recusa do porteiro em liberar o acesso. No local foram apreendidas mercadorias contrabandeadas. Os imigrantes recolhidos ocupavam 22 apartamentos.
Investigação
A PF informou que as investigações começaram em 2008 com prisões em flagrante realizadas em Porto Velho, Ji-Paraná (RO) e Vilhena (RO). Em uma das ações, chineses foram presos tentando embarcar com o carimbo de visto de entrada falsificados. Estas prisões revelaram um grande número de chineses que entravam e permaneciam ilegalmente no Brasil por Rondônia.
Com o apoio do Ministério Público Federal e com ações autorizadas pela Justiça Federal, foi identificada uma organização criminosa internacional voltada para o tráfico internacional de pessoas.
"Coiotes"
De acordo com a PF, o grupo é composto por aliciadores, denominados "coiotes", que atraem estas pessoas em seus países de origem com promessas de trabalho no Brasil. Eles eram chefiados por uma cidadã paraguaia atuante em seu país e na Bolívia, que foi presa em flagrante este ano ao transpor a fronteira em Foz do Iguaçu (PR), com vários chineses.
Os chineses, em sua maioria, vêm da província denominada Fujian, famosa por abrigar algumas das maiores fábricas de produtos pirateados do mundo. A rota usada costumava passar pela Holanda, Peru, Equador, Bolívia e Brasil.
Os integrantes da organização criminosa deverão responder pelos crimes de formação de quadrilha e por manter trabalhador em condições semelhantes à de escravo com penas que podem chegar a 11 anos de prisão.
Rota terrestre dos chineses ilegais no Brasil
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou, em 2008, uma nova rota de entrada ilegal de estrangeiros na Região Norte do país. No ano passado, 48 imigrantes clandestinos foram identificados e detidos nas cidades de Assis Brasil (AC) e Guajará-Mirim (RO), sendo que 41 deles eram chineses. Peruanos e bolivianos costumam usar parte do itinerário.
O principal ponto de fiscalização da PRF é, também, parte da rota mais usada pelos chineses para chegar ao destino preferido deles, que é São Paulo. Segundo a inspetora Marcia Félix, da PRF de Rondônia, os chineses clandestinos costumam ter entre 20 e 25 anos, não falam português, viajam com pouca bagagem e quase nada de dinheiro. Muitos também têm pouca instrução.
Para chegar ao Brasil, os chineses saem do país de origem, seguem para a Malásia, passam por Camboja até o Equador. De lá, seguem para o Peru ou Bolívia. "Eles costumam sair da Bolívia e entram no Brasil pela cidade de Assis Brasil, de onde pegam a BR-317 até Rio Branco. De lá, pegam a BR-364 e viajam até São Paulo", disse Marcia. Ela explicou ainda que os chineses viajam até Guajará-Mirim, de onde pegam a BR-425 até a BR-364.


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